Voltar a transar com quem dá tesão

Viajar é bom, mas voltar a transar com quem te dá tesão é melhor ainda. O Aeropuerto Internacional Ezeizacom gente por todos os lados. Caminhar um metro era o mesmo que andar um quilômetro no parque do Ibirapuera, pessoas apinhadas à frente, empurrões, gritos, uma fila astronômica, uma mala gigante, uma tesão do caralho. Jorge e eu trocávamos fotos pelo celular, enquanto eu esperavadespachar meus pertences en la cola. Um boludo, num encontrão ridículo, quase levou meu braço junto com sua má educação. Caos. Por pouco meu telefone não se espatifou no chão e me fez perder a possibilidade de sentir algum prazer trocando mensagens pelo WhatsApp com Jorge. 

Hijo de la puta, carajo!, gritei. Mas ele já não ouvia, estava longe na expectativa de resolver seus problemas. Todos temos nossas urgências, é óbvio, e eu tenho os meus desejos, que são mil vezes mais importantes porque são meus. Saca? Se o mundo pode ser egoísta por qualquer besteira da vida cotidiana, por que justo eu, que estou a 1000 graus, em chamas, consumida de febre e fogo, não posso passar na frente desse monte de gente desocupada e entrar no primeiro avião de volta a São Paulo? Preciso ver meu macho, transar e gozar que nem uma louca. Agora me diga, existe problema mais urgente que este? Existe alguma demanda mais importante que o sexo? Não, não existe. Saca?

Acho que fiquei mais de uma hora na fila, não sei, porque deixei de contabilizar o tempo quando Jorge me pediu uma foto da boceta. Até iria ao banheiro para fazer a vontade dele e dar sequência ao joguinho de sedução, mas o caso é que não podia abandonar a fila e correr o risco de ficar presa na Argentina até conseguir outro voo. 

Sabe, tenho que dizer que sempre fugi dos clichês, ainda mais quando se trata de erotismo e pornografia. Sempre me quis uma mulher diferenciada, em meu comportamento ímpar, nas atitudes, nas escolhas, nunca imaginei que iria desejar ir ao banheiro de um aeroporto tirar a clássica foto da bocetinha para enviar ao macho virtual. Isto é tão do imaginário sexual coletivo, tão todo mundo, e eu na minha demanda universal de desejos, sentindo o mesmo prazer, igual a todos os demais seres humanos, ou quase todos, tem os bizarros. Grande merda! O mundo está numa fase que até no sexo as pessoas imitam uma às outras para sentirem exatamente o mesmo prazer. 

Hay, você está aí?, fala comigo, estou abandonada nos meus dilemas e nas minhas inseguranças existenciais. Não quero mais ser humana, sabe, Hay? Quero ser outra coisa. Saca? Graças a Deus, graças!, você voltou. Não gostei dessas férias de uma semana que você me deu, sinceramente, não precisava. Então, como estava falando, Jorge me pediu uma foto da bocetinha e eu estou desesperada para ir ao banheiro e registrar a tal imagem. Isto me perturba, porque eu sou mais que a famigerada foto da bocetinha, mas ao mesmo tempo estou com todos os ponteiros direcionados para a máxima potência das minhas volúpias. É um desejo que não cabe em mim e, se eu me concentrar aqui, gozo na fila da companhia aérea. Juro! 


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