Mulher-cadela


Jorge, imóvel, olhava meus mamilos, e seus movimentos em câmera lenta me sufocam de tal forma que não poderia mais sobreviver aquele estado de latência, se caso ele não me possuísse naquele momento. Era isso Hay, queria ser possuída por ele, sem ternuras, nem afagos, dentro desse jogo de avidez e de sombras, em que a morte luta contra a vida, ou a vida luta pela própria vida. Sigo o fluxo da corrente que corre a minha medula e, ele então se apodera dos meus cabelos, e nas mãos desse homem, de mil e tantos metais, aspiro líquidos, absorvo vozes e digo ladraduras. Sim, Hay, trepamos, trepamos por horas e vejo Jorge desvelar toda a ancestralidade de suas Áfricas, desmontar seus vários instrumentos de ferro sobre meu ventre, me deixando sem ter mais o que fazer senão envolvê-lo nos meus braços. Junto suas lascas de pedra contra meu peito, e então escuto ele me dizer, “late, late agora”. Sim Hay, seria possível eu me assustar com aquele pedido, agora ao vivo, na face do meu ouvido, mas não, era o que tinha que ser, eu a mulher-cadela.”

Vermelho Infinito


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