Pele em fúria


“O corpo se entregou ao desespero e, depois do nono orgasmo, cheguei à exaustão. A pele em fúria não suportava mais qualquer toque; o ar, ainda insuficiente, entrava em golfadas pela boca e nariz, o coração disparava em colapso e a mente caia num vazio infinito. Ondas de uma atmosfera vaporosa me subiam pelas pernas e avançavam pelo meu ventre e tronco. Abandonei-me àquela sensação de prazer, de um relaxamento profundo de quem extraiu o suco jubiloso do amor, de quem mergulhou na fonte da juventude. Por um momento, sobre um teto branco de luz incandescente, os pensamentos me fugiram, entrei pelo portal enigmático em que não há mais nenhuma teoria, do não-conceito, e então encontrei o meu verdadeiro espírito. Encontrei-me com a mais pura essência do meu ser. Eu, Shirley, me via nua e plena como uma estátua de Vênus. Por isso, agora, posso afirmar com propriedade, o sexo ainda é a melhor terapia que a humanidade dispõe.”

Fragmento do texto “Vermelho Infinito” Ato.2 – Carla Cunha


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